[D]
|
|
O Arquivo Geral do Exército ocupa todo o edifico do antigo Convento de Chelas, hoje designado edifício do Património Militar n.º 19 (PM 19), localizado do largo de Chelas, em Chelas, Freguesia de Marvila, Concelho de Lisboa.
Sobre a situação patrimonial do Convento de Chelas desde a data da sua transferência para o Exército até 1981, transcreve-se parte de um documento da Repartição do Património da DSFOE, de 08 de Junho de 1981, que é do seguinte teor:
“ O Convento e seus pertences foi entregue (mas só em parte) pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha ao Ministério da Guerra, conforme consta do auto de 07 de Fevereiro de 1889.
Para efectuar a recepção foi nomeada uma comissão, composta por oficiais do Exército, que teve o cuidado de fazer escrever naquele termo a seguinte frase:
“que tomou posse mansa e pacificamente sem contradição de pessoa alguma”.
Naquele termo consta ainda que no Convento existem vários objectos pertencentes ao Colégio das Missões Ultramarinas, de que existe inventário na posse do seu Superior.
Consta também que alguns terrenos e casas anexas ao Convento se encontram arrendadas.
- Auto de 15 de Janeiro de 1886 consumou a entrega ao Comando Geral de Artilharia da cerca do Convento e de algumas lojas exteriores situadas no largo de Chelas, com os números 1, 2, 4, 5, 7 e 8. O auto de 03 de Outubro do mesmo ano trata da entrega de algumas casas existentes no interior do Convento.
- Muito mais tarde foram entregues as casas que, com autorização do Ministério da Guerra, eram ocupadas por viúvas ou órfãos de militares, as hortas que se achavam arrendadas e uma série de casas e compartimentos que estavam à responsabilidade do Delegado do Serviço de Inspecção das Obras e propriedades Militares.
- Todas as entregas constantes dos números anteriores foram contestadas. O Superior do Real Colégio das Missões Ultramarinas, em sua carta de 21 de Setembro de 1887, põe em causa todas as entregas efectuadas até àquela data, alegando que o Exército delas tomou posse por imposição e que elas haviam sido dadas inconscientemente por um simples guarda do edifício e da Igreja sem a menor intervenção daquele Superior ao qual compete representar o Colégio em juízo e fora dele.
- O Ministério da Guerra comprou, por escritura de 09 de Maio de 1901, uma parcela de terreno com a área de 605 m2 pela quantia de 145$200 (cento e quarenta e cinco mil e duzentos réis).
- Em 1911 ainda o Ministério da Guerra não ocupava, de facto, a totalidade do Convento, conforme esclarece um ofício que o Superior do Colégio das Missões Ultramarinas dirigiu ao Ministério da Marinha e Colónias em 18 de Janeiro daquele mesmo ano. Parece que a Fábrica de Pólvora e Cartuchame, entretanto aqui instalada, passou a ocupar a totalidade das instalações a partir de 1916.
- Por escritura de 03 de Maio de 1916 foi comprada, para o Estado, representado pelo Major Carlos José dos Santos e Silva Júnior, para ampliação da Fábrica de Chelas, uma parcela de terreno que fazia parte da Quinta do Vilaça, com área de 7648,97 m2, pela quantia de 4.000$00.”.
O Convento de Chelas, monumento onde fisicamente está instalado o Arquivo Geral do Exército, situa-se no lugar com o mesmo nome na freguesia de Marvila, em Lisboa. O Convento com a sua igreja, são notáveis pela antiguidade da inovação de S. Félix e de Santo Adrião.
Ao que parece, remonta ao séc. VII a.C. a instalação de um templo romano neste local, de que aparecem provas epigráficas em 1604. Com o rolar dos séculos, aquele templo sofreu várias vicissitudes, constando que, cerca de 665 (reinado do Visigodo Recesvinto), lhe foram confiadas as relíquias de S. Félix, que sofreu o martírio em Gerona, Catalunha, em 01.08.301.
No séc. IX, o Rei de Leão e das Astúrias, Afonso III, o Magno, tomou Lisboa aos Mouros, datando de então a entrega ao Convento de Chelas das relíquias de Santo Adrião e de sua mulher Santa Natália. O edifício, que acusa a marca de obras sucessivas, sofreu as mais importantes no tempo de D. Afonso Henriques, que o fez de novo sagrar, e de D. Manuel I, que o valorizou com um Portal. Este Convento foi classificado de monumento nacional até 20Jan30, data da publicação do Decreto n.º 17.954 em que apenas era considerado como tal o portal manuelino da Igreja e a sua galilé.
Depois do terramoto de 1755 foi enriquecido com valiosa obra de talha. Ao que parece o mosteiro foi dúplex, isto é, teve duas comunidades separadas de freiras e de frades até 1219, ano em que D. Soeiro Viegas, Bispo de Lisboa, o entregou às freiras regrantes de Santo Agostinho. Segundo Baltazar Matos Caeiro em “Os Conventos de Lisboa”, o convento possuía em 1551 uma renda de 1250 cruzados, com 48 freiras de véu preto, 12 noviças e 25 serviçais para serviços comuns. De realçar o pórtico Manuelino e a galilé forrada de azulejos seiscentistas e a zona conventual com claustro igualmente forrado com painéis azulejados da época, que, pese embora os “atentados” sofridos ao longo dos anos, ainda hoje fazem as delícias dos conhecedores da matéria que aqui se deslocam com frequência em passeios culturais, visitas de estudo, etc.
Foi neste convento que a Marquesa de Alorna esteve em clausura até completar 18 anos (1768), juntamente com sua mãe e irmão, a mandato do Marquês de Pombal. Após a abolição das Ordens Religiosas, nos finais do séc. XIX, aqui foi instalada uma fábrica de pólvora sem fumo, um recolhimento para viúvas e órfãos de militares das CEP e o arquivo do Ministério do Exército (1889).
Informação Geral: info@mail.exercito.pt
Comentários ou sugestões: webmasters@mail.exercito.pt
Número verde para esclarecimento de dúvidas sobre recrutamento: 8 0 0 2 0 1 2 7 4