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O Arquivo Histórico Militar tem em execução, desde há alguns anos, um Projecto Recolha visando localizar, recolher e guardar espólios documentais particulares com interesse para a história do Exército. Agora, um grupo de cidadãos integrando a Liga dos Amigos do AHM (em organização) propôs ao Arquivo lançar uma campanha a nível nacional, de forma a recuperar essa documentação dispersa e muitas vezes em risco de perder-se. O AHM aceitou e apoia com muito entusiasmo o projecto e congratula-se por esta iniciativa de grande valor cultural. De uma forma geral, a documentação que o AHM possui é documentação oficial, produzida e recebida pelas unidades do Exército. Tem também algumas dezenas de espólios pessoais, entregues por militares dos quadros permanentes. Infelizmente, o Arquivo não possui documentação de oficiais e sargentos milicianos ou soldados, a não ser raros documentos produzidos durante os períodos de campanhas militares – as Invasões Francesas, a I Guerra Mundial e a Guerra Colonial. Todos sabemos que um grande número de homens (pode dizer-se uma geração inteira) esteve na Guerra Colonial, nos anos sessenta e setenta do século XX. Calcula-se que tivessem estado nos teatros de operações cerca de 800.000 homens. Muitos destes homens escreveram cartas às suas famílias e receberam as respectivas respostas (normalmente em aerogramas se se tratar da guerra colonial). Também fizeram muitas fotografias, slides e mesmo alguns filmes, com os meios que havia na época. Outros escreveram diários, memórias ou simples apontamentos. Podem ter na sua posse também outros documentos, como cartazes, postais, autocolantes, desenhos, documentos oficiais, etc. Podem ainda ter guardado jornais e revistas da época. Toda esta documentação interessa salvaguardar. Estes espólios, assim como outros semelhantes de outras épocas, constituem o objecto do Projecto Recolha. Durante a I Guerra Mundial foram escritas, aproximadamente, trinta e dois milhões de cartas, das quais restam agora cerca de meia centena à guarda do Arquivo Histórico Militar. Perdeu-se irremediavelmente um canal privilegiado de observação da história dessa época: o contar dos acontecimentos na primeira pessoa. Muitos destes despojos perdem-se nas casas sem espaço e com eles a memória de cada tempo. Pela consciência que temos desse destino e porque faz falta reflectir sobre a nossa identidade, não queremos deixar de estar disponíveis, como nos pertence. Por isso aqui repetimos a mensagem da nossa campanha: “Para que nenhum detalhe importante fique a faltar à nossa História, o Arquivo Histórico Militar precisa da sua ajuda. Faça-nos a doação ou deixe-nos guardar as suas cartas, diários, fotos e filmes sobre Portugal no Século XX. Desde a Monarquia à nossa entrada na CEE, sobre questões militares ou não, preservar o máximo é o grande objectivo. Contrapartidas para si? A certeza de que as suas recordações ficam bem entregues e o orgulho de contribuir para que nada se perca. Contacte-nos pela linha verde 800205938 ou em www.anossahistoria.com”. A empresa Guerreiro DDB ofereceu, inteiramente grátis, a campanha de publicidade do projecto – expressamos-lhe, também aqui, a nossa gratidão.



 
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