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Capa AZ Nº191

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Editorial

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Editorial

    

     Esta edição marca o fim do ano lectivo para a Escola Prática de Infantaria (EPI) e, dessa forma, a conclusão de mais um ciclo anual onde Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, tornaram possível com a sua dedicação, profissionalismo e generosidade, que a missão desta Escola Prática continuasse a ser realizada com orgulho e com o sentimento do dever cumprido, ao serviço da Infantaria, do Exército e de Portugal.

     Certificada pela Direcção de Serviços de Qualidade e Acreditação (DSQA), como entidade de Formação de Qualidade e tendo adicionalmente visto mais uma vez homologado e reconhecido, no corrente ano, o Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores, a EPI iniciou o desenvolvimento de uma profunda actividade de reforma dos processos de funcionamento ao nível das actividades de apoio à Formação, conscientes de que o sucesso alcançado é determinado pela aptidão de satisfazer as necessidades e expectativas da Infantaria e do Exército, a longo prazo de forma sustentada e equilibrada.

     Tendo como horizonte a sua Certificação no decurso do próximo ano lectivo, como organização de Gestão global pela Qualidade e Excelência, aprofundaram-se os processos associados à conformidade com as normas ISO 9001-2008 e 9004-2009, aproveitando as sinergias resultantes dos ganhos da eficiencia das múltiplas vertentes de ligação aos alunos dos diversos cursos que a plataforma digital de e-learning do Exército veio permitir, mas também o inquestionável apoio que nos foi prestado pelo Comando da Logística, que nos permitiu modernizar diversas áreas funcionais e do Comando do Pessoal que nos assegurou os efectivos necessários para concretizar os nossos objectivos.

     No âmbito das actividades de Formação, foi revista a totalidade dos referenciais dos cursos à nossa responsabilidade, actividade que se concluiu no passado mês de Julho com o envio ao Comando da Instrução e Doutrina do 25º referencial. De entre estes, destaca-se o relativo ao Curso de Apoio de Combate destinado aos jovens Alferes de Infantaria, consubstanciando as preocupações com a sua formação e as competências necessárias ao adequado desempenho das funções de Comandantes dos Pelotões de Reconhecimento, Anticarro e de Morteiros Pesados.

     No domínio da Doutrina da Arma e Estudos Técnicos, foram elaborados 16 novos manuais técnicos e tácticos que serão disponibilizados através da rede de dados do Exército, já incluindo as respectivas versões digitais (formato e-book), de onde se destaca o PDE 3-52-16 Manual PANDUR Pel/Sec Atiradores (em fase de aprovação) por ter sido o único realizado em colaboração com o RI13, RI14 e RC6. Evidencia-se ainda a realização das Jornadas de Infantaria, este ano dedicadas ao Combate e as Operações Futuras nos baixos escalões tácticos de Infantaria, como elemento incontornável da reflexão da nossa Arma e garante da sua modernidade operacional.

     No contributo do Exército para a estratégia da investigação e desenvolvimento do país, participamos em conjunto com empresas e a comunidade científica, como parceiros do projecto MEP - Módulos para “Energy Harvesting” e geração de energias portáteis para o soldado, na definição dos requisitos operacionais e também na testagem e validação dos protótipos. Em conjunto com o tecido empresarial português, apoiamos com o saber e as competências apropriadas a testagem e validação de mini-UAV e de novos modelos de vidros balísticos.     Este foi um ano lectivo vivido intensamente por cada um de nós, num ambiente de forte coesão, camaradagem e identidade colectiva no seio da Família da Infantaria e do Exército onde nos revemos no seu passado e nos valores e princípios que o nosso Patrono São Nuno de Santa Maria continua a inspirar, para que, com convicção, responsabilidade e confiança no futuro, continuemos a servir a Infantaria e o Exército.

     A todos expresso o meu agradecimento pelo apoio sempre presente à Casa-Mãe, durante este ano em que tive o privilégio de a servir como seu comandante.

 

AD UNUM!

Jorge Manuel Barreiro Saramago

Coronel de Infantaria

Escola Prática de Infantaria

 

     Mensagem

do

Director-Honorário da Arma de Infantaria

 

Os Exércitos modernos, durante o tempo de paz, são, primeiro que tudo, escolas em que os mais experientes transmitem aos quadros mais jovens a educação e a instrução militar, com diferentes ângulos e níveis de exigência, em maior ou menor escala conforme a sua esfera de acção, que vai crescendo à medida que se elevam na hierarquia militar. Desde muito cedo e até aos mais elevados postos, ninguém deixa de ser, ao mesmo tempo, professor e discípulo, o que exige, em cada posto, qualidades e aptidões específicas e diferenciadas. Mas para que possa produzir os resultados desejados, o ensino deverá subordinar-se a regras e preceitos especiais, pois a educação e a instrução devem ser ministradas sucessivamente, de grau em grau, tendo como referencial o princípio da complementaridade.

     Pode ousadamente afirmar-se que não bastará nunca, apenas e só, a legislação, por excelente que seja, para produzir bons quadros. Para a consecução deste resultado o mais fecundo esforço há-de brotar do capitão. Para isso, porém, ele necessita de encontrar nos corpos normativos e doutrinários, estímulo e auxílio. Estímulo, em regras que deixem a sua acção educadora inteiramente desafrontada; e auxílio, nas escolas do desenvolvimento da instrução.

     É que, o chefe militar, o condutor de Infantes no combate e em todo o espectro das modernas operações, aquele que tem de orientar e impelir os outros, se necessário até ao sacrifício maior, tem de ir muito para além do simples improviso. Sobre qualidades naturais que não se inventam mas que se cultivam, aperfeiçoam e desenvolvem pela formação, tem de formar-se o chefe militar que se imponha aos seus subordinados pelo saber, pela dignidade, pelo valor e pelos valores. Ele terá de ser um exemplo de valentia para os homens que o seguem, terá de ser um modelo de competência que lhes transmita a confiança de que as suas ordens são seguras e eficazes, terá de possuir as qualidades que na acção do dia-a-dia o tornem mais amado do que temido.

     Neste contexto, aglutinando-se ao redor da sua Casa-Mãe e das suas Unidades, congregando os esforços de todos, a Infantaria tem de ser capaz de proporcionar aos jovens quadros da Arma uma formação prática actualizada e consistente. Isto porque no mundo em que vivemos, de paz e de guerras, de fronteiras e de espaços difusos, de poderes estranhos e alguns ainda pouco conhecidos, de inimigos sem rosto e sem lei, só uma formação técnica alargada, exigente e rigorosa, a par de uma sólida formação moral alicerçada nos mais sublimes princípios e valores éticos, nos permitirão continuar a enfrentar e a modelar o futuro com a mesma perseverança e determinação do nosso Patrono.

     É este o desafio que deixo a todos os Infantes, num período de festa e celebração, em que se cumpre mais uma vez a mui nobre tradição do Dia da nossa Arma.

O Director-Honorário da Arma de Infantaria

João Nuno Jorge Vaz Antunes

Tenente-General

 

Curso de Promoção a Capitão 2011

 

     Desde 2010 que a parte comum dos Cursos de Promoção a Capitão para as Armas e Serviços (A/S), Serviços Técnicos (ST) e Serviço de Saúde (SS) é ministrada na Escola Prática de Infantaria (EPI). Este modelo recente foi criado a partir da junção dos cursos ministrados na EPI, Escola Prática dos Serviços (EPS) e Escola do Serviço de Saúde Militar (ESSM) tendo como base de estudo o CPC A/S. Foram criados três cursos independentes que decorrem concomitantemente, respeitando três referenciais distintos, contribuindo para uma desejável uniformização do nível de conhecimentos e competências para os futuros capitães das diferentes armas e serviços do Exército. Salienta-se que dos três referenciais de curso apenas o CPC A/S, à responsabilidade da EPI, está completo e enviado para o Comando da Instrução e Doutrina, estando apenas à espera de aprovação.

     No ano de 2011 conseguimos a introdução do MOODLE na internet que foi uma mais valia para o funcionamento do curso. Esta ferramenta permitiu que a comunicação entre Direcção de Curso/Formador/Formando fosse permanente, independentemente do lugar ou hora em que alguem se encontra. Permitiu a realização de alguns testes electrónicos com a consequente poupança em recursos humanos e financeiros, a disponibilização de conteúdos online e acesso a estes a partir de qualquer lugar e a gestão administrativa do curso através da requisição online da alimentação. São exemplos das potencialidades desta ferramenta de apoio à formação que trouxe uma nova dimensão à formação da EPI. A Escola é das primeiras na sua utilização dentro das unidades do CID, tendo conseguido incutir noutras EP a vontade de mudança na forma de organizar e ministrar a formação. Agora temos que adaptar todos cursos a esta nova realidade e quem sabe, num futuro não muito longincuo, teremos um curso integralmente não presencial na EPI.

     Houve também muito cuidado na escolha dos palestrantes, que sendo muitos, de origens diferentes e com conhecimentos técnicos inigualáveis, devem apresentar capacidades pedagógicas irrepreensíveis A titulo de experiencia usamos o “Adobe ConnectNow” uma ferramenta de comunicação em video conferência que permite, além da comunicação vídeo, a partilha de conteúdos por parte de um dos intervenientes. As experiencias efectuadas com o Afeganistão e com a Escola Prática de Transmissões (EPT) possibilitaram a apresentação de um “Power Point” e no caso da EPT, que apresentou como tema o SICCE, possibilitou uma demonstração que só seria possível, presencialmente com recurso a meios de hardware apenas existentes na EPT. Foram duas experiencias diferentes mas que nos deixaram muito satisfeitos e com vontade as repetir em outros cursos. Este modelo, se implementado com os palestrantes que vêm de mais longe, poderá poupar ao exército muitas centenas de Euros. Não devemos cair no exagero de transformar todas as palestrar em sessões síncronas, pois os formandos do CPC necessitam conviver com outras realidades e partilhar diferentes experiencias.

     A 26 de Abril começou o Curso de Promoção a Capitão de Infantaria que pretende formar os nossos Tenentes de Infantaria na área específica da nossa Arma. São nove os temas desenvolvidos desde o Agrupamento ao SubAgrupamento, na Ofensiva, Defensiva, OAP e Áreas Edificadas, onde se inclui também um exercício de planeamento táctico de três dias consecutivos com três temas de companhia.

     A avaliação deste curso está vocacionada para o produto escrito dos formandos. Embora já desde há uns anos se tenha incluído na avaliação apresentações verbais nos temas de SubAgrupamento, estes ainda têm pouco valor na nota final. Este modelo de avaliação tem sido alvo de muitas críticas por parte de formadores e formandos e merece da nossa parte uma análise detalhada para propor um novo modelo.

     Aquilo que vemos como necessário para um Capitão de Infantaria é formação orientada para a exposição de ordens de forma clara e precisa. A técnica para elaborar os documentos e seus anexos é sem qualquer duvida muito importante, mas se tomarmos como referência o Exército dos Estados Unidos da América onde muitos camaradas nossos têm frequentado, com muito sucesso, o Manouver Captains Careear Course (MCCC) verificamos que aqui se forma para aquilo que se vai fazer e quer que os seus capitães sejam competentes na forma de expor as suas ordens. Se a Infantaria arrancar sozinha para fazer esta transformação pode ter a certeza que estará um passo à frente no momento em que alguém nos acompanhar nesta caminhada, para não ficar para traz, quanto à qualidade do Capitão português.

 


 

(Continua na Edição Electrónica)  
 
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