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Nos finais do século XIX, um pintor portuense de nome JOAQUIM VITORINO RIBEIRO, resolveu coleccionar peças e documentos, designadamente de natureza militar, que constituíssem testemunho da conturbada primeira metade daquele século, dominada que foi, inicialmente, pelas invasões francesas, e, depois, pelas lutas liberais que confrontaram D. Miguel e D. Pedro.
As peças por ele reunidas viriam a constituir o essencial da exposição que, em 1920, assinalou no Porto o centenário da «Revolução Liberal de 1820», inaugurada no Teatro de São João, em 24 de Agosto. O interesse despertado por esta exposição motivou a Câmara Municipal do Porto a deliberar, quatro dias depois, no sentido de se constituir na cidade, com base na colecção de Vitorino Ribeiro, um museu histórico-militar.
Mas os anos foram passando e o entusiasmo inicial da edilidade cedo se foi desvanecendo, de tal sorte que, em 1932, os filhos do pintor, desiludidos, acabaram por oferecer o espólio do seu pai ao Museu Militar de Lisboa.
Gorava-se assim a primeira tentativa de criar um museu militar na «Cidade Invicta». Decorreria um quarto de século até o Comando da 1.ª Região Militar, com sede no Porto, intentar a congregação de esforços de várias instituições civis e militares, no sentido de inventariar espécimes que pudessem constituir o recheio de um museu histórico-militar a implantar no Castelo de S. João da Foz. No final de 1957, iniciaram-se os trabalhos de limpeza daquela fortificação, sob orientação do Tenente GONÇALO MEIRELLES TEIXEIRA COELHO.
A 28 de Março de 1958, um despacho do Ministro do Exército criava, no Porto, uma Delegação do Museu Militar de Lisboa. Por se prever que as obras de adaptação do castelo levariam algum tempo, ficou decidido que, até que aquelas ficassem concluídas, se reuniriam todas as peças, oferecidas ou adquiridas, nas instalações do Quartel-General, então localizado na Rua Augusto Rosa.
Gonçalo Meirelles dedicou-se então à sua missão de responsável pela Delegação do Museu Militar, contribuindo arduamente para o seu enriquecimento patrimonial, organização e conservação, tendo conseguido ordenar 25 salas, com numerosas peças, distribuídas por temas ao longo dos três pisos do edifício. Embora encerrada ao público, cooperava, com o Gabinete de História da Cidade do Porto e cedia peças para exposições.
Em 1958 o Quartel-General foi transferido para a Praça da República e a reestruturação do Exército ocorrida no começo da década de 60, obrigou a Delegação do museu a libertar várias das suas salas, para nelas se instalarem órgãos de administração e de recrutamento militar. Em 1965, pouco mais era que um espaço onde os espécimes se iam amontoando à espera de futuro destino. Em Julho desse ano, Gonçalo Meirelles reformava-se sem ver transformado em museu vivo aquilo que absorvera o seu esforço e determinação durante sete anos. Falhava a segunda tentativa de criação de um museu militar no Porto, pois, nos cinco anos seguintes, a Delegação esteve praticamente desactivada. Só em 1970, surgiu um renovado interesse, promovido pela Associação Cultural dos Amigos do Porto e outras entidades civis e militares, mantendo-se a ideia de montar um museu no Castelo de S. João da Foz.
Em 1971, foi nomeado como delegado do Museu Militar, o Major Méd. FRANCISCO FERNANDES FIGUEIRA. Mercê da sua perseverança, dinamismo e entusiasmo este oficial desencadeou um conjunto de acções determinantes para a efectiva criação de um museu militar no Porto.
Nesse ano, foram transferidos os espécimes museológicos para um espaço próprio da ala poente do Quartel-General, e, no começo de 1973, foi inaugurada uma exposição permanente que, no entanto, apenas era visitada por militares e algumas entidades oficiais.
A revolução de 25 de Abril de 1974, depôs o regime político então vigente no país, extinguindo também a sua polícia política cuja sede, no Porto, se localizava na Rua do Heroísmo, num edifício do século XIX.
Perante a incapacidade financeira de realizar as obras no Castelo de S. João da Foz escolheu-se, então, como alternativa, o referido imóvel da extinta PIDE-DGS que, depois das diligências necessárias, foi entregue ao Exército. Em 1976, o museu tinha finalmente um espaço próprio e, em 1 de Abril do ano imediato, um decreto-lei do Conselho da Revolução criava o «Museu Militar do Porto». Nos três anos seguintes realizaram-se as obras de adaptação do imóvel às novas funções.
A 21 de Março de 1980, o Museu foi inaugurado pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes, tendo como seu primeiro director o Major Médico Francisco Figueira que tanto se tinha empenhado na sua concretização.
Em 1981, a colecção Vitorino Ribeiro, que estivera na origem da ideia de criar um museu militar no Porto, regressou finalmente à cidade que lhe fora destinada sessenta anos antes. No ano seguinte, realizou-se a grande exposição comemorativa do “VI Centenário da Artilharia em Portugal», certame que promoveu entre outras melhorias a ampliação da área de exposição.
A 6 de Dezembro de 1986 foi instituída a Liga dos Amigos do Museu Militar do Porto, a qual congrega várias personalidades civis e militares, com o objectivo de aumentar o património histórico-militar do museu e apoiá-lo em actividades que contribuam para a valorização e promoção da sua imagem.
Com o apoio conseguido através de um dos membros da Liga, foi possível adquirir uma grande colecção de soldadinhos. Expostas no 1º piso do edifício principal, estas figurinhas, provenientes das mais famosas fábricas de miniaturas europeias, recordam a longa caminhada da Humanidade, do Paleolítico aos nossos dias.
Desde a sua inauguração e cumprindo os seus objectivos, o museu empenha-se em dar a conhecer ao público, em particular aos mais jovens, um vasto património de interesse histórico-militar, divulgando-o em exposições temáticas (permanentes e temporárias), editando catálogos, organizando ciclos de conferências e apoiando o trabalho de investigadores.
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