Exército Português

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Mensagem do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança às Forças Armadas e Forças de Segurança envolvidas no combate aos incêndios https://www.exercito.pt/pt/informação-pública/notícias/1945Mensagem do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança às Forças Armadas e Forças de Segurança envolvidas no combate aos incêndios 31/07/2020 23:00:00Mensagem do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança às Forças Armadas e Forças de Segurança envolvidas no combate aos incêndios <img alt="" src="https://assets.exercito.pt/SiteAssets/GabCEME/RCRPP/Fotos_Noticias/2020/MensagemBFFAA_covid19.JPG" style="BORDER:0px solid;" />D. Rui Valério agradece a dedicação em defender Portugal<p><img src="https://assets.exercito.pt/SiteAssets/GabCEME/RCRPP/Fotos_Noticias/2020/MensagemBFFAA_covid19.JPG" alt="" style="margin:5px;" /> </p><p dir="ltr" style="margin-right:0px;">​<span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">“Em Portugal, o verão tornou-se sinónimo de incêndios. Um flagelo que se tem traduzido em destruição, desolação, morte, desespero, abandono, desertificação...</span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Quando a floresta arde, também a alma dos homens se queima. Uma paisagem reduzida a cinzas é o retrato do abismo de desespero escavado na interioridade da pessoa que tudo perdeu ou que apenas presenciou o deflagrar das chamas e assistiu à destruição da vida, seja flora seja fauna. Um incêndio representa sempre mais do que aquilo que aparenta, pois a sua ação destrói e consome tudo. Tanto fora como dentro da gente. E quem já passou pela horrível experiência de perder os seus haveres — casas, campos, bens, pinhais, vinhas, olivais… — sabe que a vida deixou de ser o que era e jamais voltará a ser a mesma. Nem tão pouco o próprio! Alguns, no espaço de poucos dias, envelhecem anos e os seus rostos tornam-se esculturas enrugadas.  </span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Os incêndios não devastam só a fadiga de muitos anos; por vezes, destroem até os sonhos de uma vida inteira, obrigam a um confinamento sem via de retorno, sem esperança, sem horizontes, sem força. Fica tudo reduzido a cinzas, num ápice, quer se trate de bens materiais, quer se trate de bens imateriais ou espirituais. Sem esquecer que, muitas vezes, demasiadas vezes, também a base de sustentação de inteiras famílias é exterminada pela vertigem das chamas. A pobreza, a incerteza do amanhã, o desemprego, tudo escava sulcos de desconfiança nas almas. Trata-se, na verdade, de uma tragédia que mina diretamente a essência do ser humano. </span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Assim, tudo quanto se faça no âmbito do combate aos incêndios tem sempre uma relevância humanista. E como o destino das florestas, dos campos e de tudo o mais que possa ser dizimado pelas chamas tem ligações profundas com as pessoas, as quais se ressentem com a sua destruição, também o que for feito em prol das populações tem o efeito de um recomeço. É a fonte da esperança. E as Forças Armadas e Forças de Segurança, com a sua presença e ação no terreno, têm sido obreiras de renascimentos e arautos dessa esperança. </span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Por isso, caros Militares e Elementos das Forças de Segurança, com esta mensagem, tão breve quanto sentida, venho agradecer a vossa dedicação em defender Portugal. As palavras, embora insuficientes, exprimem a nossa gratidão e o nosso apreço, num ato de sincera retribuição, pelo vosso zelo em proteger o nosso país. A sentida solidariedade que tem ecoado em todo o lado testemunha a mais sincera admiração para convosco, para com a vossa missão e a vossa entrega. E a mesma admiração estende-se também às vossas famílias que ficam privadas da vossa presença quotidiana e preocupadas com o que vos pode vir a acontecer se se verificarem os cenários mais catastróficos. A forma exemplar como tendes combatido este flagelo, independentemente da fase de atuação, a dedicação demonstrada, que é reveladora de uma inquestionável abnegação, a coragem na luta com um tão indomável inimigo revelam a vossa prontidão para pôr em risco a própria vida. Quer seja na prevenção e vigilância, quer aconteça no apoio, quer se dê no auxílio logístico, quer suceda no combate direto às chamas, estais a atuar na senda do juramento de “defender a Pátria e estar sempre pronto a lutar, mesmo com o sacrifício da própria vida." </span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Congratulo-me convosco e podeis contar com o reconhecimento de inteiras populações que, dentro do silêncio com que miram as paisagens e a vida, têm bem presente no coração um obrigado muito sentido às Forças Armadas e às Forças de Segurança. A vossa atuação cria nas pessoas um profundo sentimento de segurança. E sobre esse sentimento, as pessoas constroem uma confiança sólida e uma esperança elevada. E vós, no meio da desolação, sóis um oásis para o renascimento.</span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Agradeço-vos também essa capacidade, já revelada noutras ocasiões, de dar a Portugal esses dois pilares tão preciosos: a confiança e a esperança. Existindo estes, existe o presente e, sobretudo, existe vontade de construir o futuro.  </span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Por isso, Deus Nosso Pai, que enviou o seu Filho à terra para nos salvar, vos ilumine para que, através do vosso exemplo e do vosso árduo trabalho, com o auxílio de Nossa Senhora, o flagelo do incêndio nunca se revele uma certidão de óbito para ninguém, mas, com a vossa presença e ação, seja sempre ocasião para se recomeçar a viver.</span></p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">Também vos quero assegurar que todos os dias colocarei sobre o Altar da Eucaristia a vida de cada um de vós, para que o Senhor da Paz, com Sua Mãe, a Virgem Santíssima, zele por vós, vos acompanhe e vos proteja. “</span></p><p style="text-align:justify;"> </p><p style="text-align:justify;"><span class="ms-rteThemeForeColor-2-5">O Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança, 31 de julho de 2020</span></p>

Exército Portugues
Iremos até onde a Pátria for,
e seja em paz,
ou seja em guerra,
que este clamor
vibre imortal,
de mar em mar,
de serra em serra:
Portugal! Portugal! Portugal! 

Hino do Exército, 1945,
Letra de Adolfo S. Muller
� Ex�rcito Portugu�s 2016